Relatório de Insights da Comunidade

Experiência do paciente e comorbidades psicológicas da cefaleia em salvas

Identificando lacunas no atendimento por meio do depoimento dos pacientes

Autores

Arzu Burak, Parmin Zolfaghari, Walaa Al Haj Ali, Azra Özsert, Anouk van der Vliet, Fleur van Loon, Darshan Ramanagoudra, Lea Jabbarian

MyClusters · Erasmus MC

Colaboração com o Erasmus MC18 Entrevistas com pacientesPaíses Baixos

Contexto

Sobre a cefaleia em salvas

Cluster headache (CH) is a rare and extremely painful form of primary headache, affecting an estimated 0.1% of the world population. It is characterised by unilateral, recurrent attacks of severe periorbital pain, often accompanied by autonomic symptoms.

Several studies suggest that CH is associated with substantial psychological comorbidity. This study explored the lived experience of patients with CH, its psychological impact, perceived shortcomings in the current healthcare trajectory, and the strategies patients use to improve their quality of life.

Semi-structured interviews were conducted with eighteen participants with a clinically confirmed diagnosis of cluster headache in the Netherlands.

18
Pacientes
Entrevistado
46
Meses
Tempo médio até o diagnóstico
8/10
Classificação da dor
Mínimo relatado
90 min
Duração média
por crise

Participantes

Dados demográficos dos pacientes

Sexo

Mulheres (77.8%)
Homens (22.2%)

Tipo de cefaleia em salvas

Crônica (66.7%)
Episódico (33.3%)

Diagnosticado por

Neurologista (77.8%)
Médico de família (33.3%)

Distribuição etária

20–30
22.2%
31–40
38.9%
41–50
22.2%
51+
11.1%

Localização da dor

Direita
66.7%
Esquerda
33.3%
Ambos os lados
11.1%

100% dos participantes classificaram a intensidade da dor como 8/10 ou mais

Impacto físico

Comorbidade somática

Todos os participantes relataram apresentar comorbidades somáticas juntamente com as crises de cefaleia. A frequência das crises variou de 0 a 15 por dia, com durações que variaram de 10 a 660 minutos.

94.5%
Nariz entupido e/ou coriza
77.8%
Cansaço
72.2%
Cólicas*
66.7%
Olhos lacrimejantes
61.1%
Pálpebra(s) caída(s)
Top 5 most reported items
Other items

*Cramps were reported in varying locations across participants.

Antes de uma crise

Fatores desencadeantes identificados

88.9%
dos participantes identificaram gatilhos específicos que antecediam suas crises

Fatores ambientais, como mudanças de temperatura e variações sazonais, foram os gatilhos mais comumente relatados. Fatores relacionados ao estilo de vida, como sono, consumo de álcool e estresse, também foram mencionados como gatilhos que antecedem uma crise.

Top 3 most reported triggers
Other triggers

Testemunhos de pacientes

Impacto no funcionamento diário

Todos os participantes relataram um impacto significativo da cefaleia em salvas em seu funcionamento diário, o que muitas vezes exigiu mudanças nos hábitos de vida ou no ambiente de trabalho, manejo contínuo da medicação e limitações no planejamento social e futuro.

82%
Dificuldades no trabalho
47% relataram estar incapacitados para o trabalho
29%
Impacto acadêmico
Variando de desempenho prejudicado até o desligamento do curso
95%
Perspectiva alterada
A visão deles sobre o futuro mudou devido ao diagnóstico

Trabalho e carreira

  • 47% reported that they were incapacitated for work
  • 22% felt forced to change professions
  • Only 12% maintained employment, with substantial difficulty
  • Increased absenteeism and reduced work productivity were frequently mentioned

Ambiente social

  • 83% felt supported by their social environment
  • However, a lack of full understanding was frequently reported
  • CH was often underestimated or equated with migraine
  • Common consequences of this lack of full understanding: sleep deprivation, social isolation, and anxiety

Saúde Mental

Sintomas psicológicos

94,5%
relataram ansiedade, frequentemente associada ao medo de crises
50%
relataram ideação suicida ou pensamentos de eutanásia, com alguns chegando até mesmo a desenvolver intenções concretas
44,5%
sintomas depressivos relatados

Prevalência de sintomas psicológicos

Top 3 most reported symptoms
Other symptoms
56%
reported improvement over time, largely through more adaptive coping strategies or psychological support
33%
experienced worsening, often due to ineffective treatments or increasing social isolation
11%
reported a fluctuating course of psychological symptoms

Saúde

Lacunas no atendimento e depoimentos dos pacientes

Participants reported various shortcomings in the current treatment approach and healthcare communication. A clear need was expressed for better coordination among healthcare professionals and the development of integrated, multidisciplinary care pathways.

Many participants felt that their pain is underestimated by healthcare professionals and often equated with "regular headaches". This lack of validation contributes to frustration, panic, and despair.

78%

expressed a desire for more empathy and understanding from healthcare providers

Principais conclusões

Necessidade de melhor coordenação entre os profissionais de saúde
Desenvolvimento de percursos de atendimento integrados e multidisciplinares
As consultas de acompanhamento devem abordar o funcionamento diário e o bem-estar mental
Informações insuficientes sobre os mecanismos de ação dos medicamentos, sua administração e efeitos colaterais
Os pacientes desejam participar ativamente na tomada de decisões sobre o tratamento
A dor é frequentemente subestimada ou equiparada a “dores de cabeça comuns”
Faltam apoio psicológico e ferramentas de autogestão

Perspectivas

Conclusões e recomendações

Reconheça o impacto psicológico

Os participantes destacaram a necessidade de reconhecer o impacto psicológico das cefaleias em salvas. Sua dor é frequentemente subestimada pelos profissionais de saúde, o que contribui para a frustração, o pânico e o desespero.

Percursos de atendimento integrado

Desenvolver percursos de atendimento integrados e multidisciplinares, com melhor coordenação entre os profissionais de saúde. As consultas de acompanhamento devem abordar o funcionamento diário e o bem-estar mental, e não apenas a frequência das crises.

Empatia e compreensão

Os participantes expressaram o desejo de receber mais empatia e compreensão por parte dos profissionais de saúde. É urgentemente necessário um maior reconhecimento da gravidade e do fardo psicológico dessa condição.

Envolvimento do paciente

Defenda uma abordagem mais transparente em relação às opções de tratamento, com o envolvimento ativo do paciente na tomada de decisões. Os participantes desejam mais informações sobre os mecanismos de ação dos medicamentos, sua administração e efeitos colaterais.

Apoio psicológico

Foi expressada a necessidade de apoio psicológico, incluindo o aprendizado de ferramentas de autogestão. Mais da metade dos participantes observou melhora por meio de estratégias de enfrentamento mais adaptativas ou de apoio psicológico profissional.

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